::: O Dobermann :::

                   HISTÓRIA DA RAÇA     

 

A história da raça supõe-se que começa em 2 de janeiro de 1834, quando nasce um homem chamado FREDERIC LOUIS DOBERMANN.   Supõe-se porque as informações sobre HERR DOBERMANN são exíguas e as vezes contraditórias como sua data de nascimento que poderia ser 2 de fevereiro de 1823.   LOUIS teria sido, além de policial, administrador regional e coletor de impostos.  Esta última ocupação exigia constantes viagens para arrecadação, muitas delas coletavam vultuosas somas em dinheiro e faziam com que os cobradores volta e meia se deparassem com situações delicadas.

Com esta ocupação HERR DOBERMANN decidiu que precisaria de um Cão para lhe acompanhar às viagens, mas não um Cão qualquer.  Ele queria um Cão de guarda com uma boca forte, bom olfato, coragem, forte e bem desenvolvido instinto protetor.  É bom que se diga que HERR DOBERMANN estava inicialmente mais preocupado com o caráter do Cão do que com a estrutura.  Sua fixação era o instinto protetor o qual foi a base do seu sucesso.

HERR DOBERMANN não tinha um claro programa de criação e também não guardou nenhuma anotação dos cruzamentos que fez. Por essa época,  a exceção da Inglaterra, não havia raças puras na Europa o que torna ainda mais difícil precisar a origem da raça.  Sabemos apenas que ele tinha quase todos os tipos de cães: açougueiros, pastoreiros, caçadores etc e mestiços.   De acordo com seu filho, HERR DOBERMANN foi proprietário de uma fêmea preta chamada BISSART com marcas tam e sub-pelo cinza.   Ela foi mãe de PINKO, selecionado por seu rabo ser naturalmente curto.

 A tentativa de produzir cães com rabo naturalmente curto, por criação seletiva, falhou.

OTTO GOLLER, proprietário do Canil Thuringen e fundador do Dobermann Club da Alemanha, contou que Herr Dobermann usou também uma fêmea cinza chamada SCHNUPP.  Herr Goller estava convencido de que o Pastor Alemão, o Caçador de Pelo Duro, o Dogue e o Pinscher Alemão são as mais importantes raças na formação do Dobermann.

 Muitos afirmaram que ou o Rottweiller também é ancestral do Dobe ou ambos tem um ancestral em comum, o que nos parece óbvio hoje em dia.  Poucas pessoas poderiam lembrar da Exposição de 1899 que HERR ULLRICH julgou vencida por GRAF BELLING VON THURINGEN  (primeiro Dobermann registrado no Stud Book Nacional da Raça Dobermann na Alemanha. Esta cão também foi encontrado com o nome de GRAF BELLING VON GRONLAND).  Graf  Belling era um excelente Cão para sua época, pois teve 52 primeiros lugares e tornou-se Campeão Alemão (seu primeiro proprietário foi OTTO GOLLER.

MAX KUNSTLER cita também o Weimaraner como provável contribuinte.  Outra raça que é  citada pelos historiadores é o Beauçeron, um cão de origem francesa do mesmo tamanho, cabeça parecida e muitas outras características em comum com os Dobe. Os Beauçeron foram levados a região de Apolda durante a invasão de Napoleão e alguns espécimes certamente ficaram por lá.

O que mais indica-o como provável ancestral é o mecanismo hereditário das cores.  Ambas as raças produzem o preto, marrom, azul e Isabela com as marcas tan e têm a mesma relação de dominância e recessividade. Outras raças que freqüentam as listas de prováveis ancestrais são o Manchester  Terrier e o Greyhound que explicaria as faltas de dentes.

Em 1893 BOSCO é o primeiro Dobermann a ser incluído no Stud Book alemão.

 No ano seguinte a fêmea CAESI se torna o segundo Dobe a ser registrado.  Em 1895 nasce PRINZ MATZI VON GRONLAND, o terceiro registrado, filho dos dois primeiro e primeiro Dobe a obter o título de Sieger, criação de Goswin Tischler. Em 1905 durante a fundação do Nacional Dobermann Club em Apolda Herr Goller alertou sobre os perigos da continuação de cruzamentos com raças já definidas como o Manchester Terrier, que estaria descaracterizando o temperamento do Dobe.

 Mesmo assim esses cruzamentos, e não só com o Manchester, continuaram até mais ou menos os anos 30, tanto que em 1952 em Utrecht, um Dobe marrom, DIRK VON KLOCKENHOF (irmão da mãe do Ch. Mundial LUMP VON HAGENSTOLZ) foi desclassificado.  O motivo: o cão parecia mais com um Gleyhound do que com um Dobe e o juiz não acreditava que ele tinha um pedigreee Dobermann.

Na realidade, os primeiros Dobermanns eram mesmo diferentes dos atuais, com cabeça curta e corpo pesado. Os cruzamentos consangüíneos eram muito usados pelos criadores, para determinar em definitivo as cores e o temperamento dos animais. A introdução do Manchester na raça, ajudou também a alongar a cabeça, melhorar a cor e conseguir-se o desejado e procurado pêlo curto do qual a raça necessitava.

O sangue Galgo, ao contribuir para o alongamento da cabeça, provocou também defeitos degenerativos,  que até hoje são ainda observados em muitos dobermanns. Os principais são a ausência de dentes, principalmente os pré-molares, queixos proeminentes, queixos retraídos e o chamado “nariz romano”.  

Há poucas raças de cães tão aptas para a defesa e a guarda.  As qualidades físicas e psíquicas do Dobermann colocaram-no em pouco tempo em primeiríssima linha.  Dotado de grande desconfiança com os desconhecidos,  sempre prefere estar perto do dono, onde a sua vigilância é incessante e o seu olhar vivo investiga sem descanso a seu redor, de modo que possa adverti-lo de qualquer eventual perigo. Não conhece o medo. Na hora do perigo, o seu corpo musculoso põe-se tenso, a sua fisionomia endurece-se, o olho acende-se ao menor sinal ou ordem do dono, ataca corajosamente o adversário.  É devido a estes aspectos e outros que o Dobermann é bom para seguir pistas, bom cão policial e o animal próprio para guardar uma propriedade.

(Extraído do texto elaborado por Carlos  A. Sabino Lopes e publicado pela Brasil Dog Review)

 

1º Dobermann registrado no Stud Book Nacional da Raça Dobermann Pincher na Alemanha

 


 

 

 DOBERMANNS EUROPEUS QUE INFLUENCIARAM A CRIAÇÃO AMERICANA

 

 

 

GRANDES REPRODUTORES DA RAÇA NA EUROPA

 

 


                                                                                                      

Informações extraidas da pagina do Conselho Brasileiro da Raça Dobermann